ABERTURA DA CENA
COMO GANHAR UM OSCAR DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Cena
“A Vida dos Outros”:
Você quer realmente ganhar um Oscar?
“Ainda estou aqui”:
Sim, sim. Por favor! Me ensina mestre.
“A Vida dos Outros”:
Tá bom! Me copia, só não faz igual. Mostre como como Montesquieu estava certo quando disse que:
“É uma verdade eterna: qualquer pessoa que tenha o poder tende a abusar dele. Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder”.
Aplique isso ao que aconteceu com o seu país, que vai dar certo. Confia no pai!
Fim da cena.
Antes de mais nada, se você não assistiu A Vida Dos Outros, assista! Se assistiu faz tempo, assista novamente!
Em A vida Dos Outros, vemos a polícia secreta socialista alemã fazendo o que bem quer por ter aval do estado. Qualquer um considerado subversivo poderia ser grampeado. E bastava apenas um agente do estado não ir com a sua cara, que o pior poderia te acontecer. Além disso, vemos também como um único agente do estado pode se aproveitar da oportunidade que o excesso de poder pode trazer.
Algum paralelo com militares dando sumiço em suspeito por envolvimento em atividades ilegais?
Eu não vou entrar no mérito das acusações dos militares, mas no caso do Rubens Paiva o estado reconheceu publicamente que matou o cara.
Para mim, as cenas que ganharam o Oscar foram quando levaram o Rubens Paiva “para depor”, seguida da sequência do tempo em que a Eunice ficou presa. (32:40 até 35:30 e 45:30 até 58:05)
Quando você assistiu o filme, já sabia o que aconteceria no final, certo?
Não te pareceu que ele sabia que ia dar ruim? Ele estava se arrumando para morrer.
O casal agindo naturalmente para não assustar os filhos e muitas mensagens sendo passadas entre eles através de trocas de olhares.
Bravo!
A Vida Dos Outros, se passa em 1984. Ainda estou aqui, se passa em 1970.
Ou seja, o que aconteceu aqui no Brasil na década de 70, aconteceu na Europa uma década depois e obviamente os absurdos dos dois filmes se deram com o aval do estado. De um lado o socialismo, do outro o autoritarismo militar.
E a cereja do bolo é o encerramento do filme, mostrando que o estado sabe quem matou o Rubens Paiva, mas nada aconteceu até o momento.
Brazil - “Absolute cinema”.